O Sensei Marcos Vinicius Rodrigues, vem ensinado em Juiz de Fora há 10 anos o OKINAWA GOJU RYU KARATE JUTSU. Atualmente ensina nas dependências do CLUBE BOM PASTOR, Clube Social localizado na Rua Sen. S. Filho, Nº 313, bairro Bom Pastor, tel (32) 3212 0825. Este trabalho não é feito com o objetivo de lucro financeiro, embora o clube recolha a taxa de aulas dos praticantes.

SÍNTESE DO CURRICULUM VITAE DO MESTRE MARCOS VINICIUS

  • 40 anos de prática do Karate.
  • Possui um dos mais altos graus da Faixa Preta, reconhecido Internacionalmente Faixa Preta também em Jiu-Jitsu, Judô, Kendô e Iaidô.
  • Faixa Preta Graduado também em outros Estilos de Karatê.
  • Profundo conhecedor das Terapias Orientais, notadamente o SHIATSU.
  • Árbitro Internacional de Karate.
  • Ministrou Cursos nas principais cidades do Brasil e também na Argentina e Uruguai.
  • Foi Campeão Sul Americano de Karate.
  • Foi Campeão Brasileiro de Judô.
  • Técnico Campeão Mundial de Karatê.

    Formação Escolar:
  • Bacharel em Comunicação Social ( Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas)
  • Bacharel em Administração de Empresas
  • Mestrado em Marketing
  • Especialista em Qualidade Total pela fundação Cristiano Ottoni (UFMG)
  • Curso Preparatório de Oficiais da Reserva EB
  • Curso Extensivo de Educação Física EEFE.

    O KARATE DE CHOJUN MIYAGI

    No início do século 20, um novo Estilo de Karate foi desenvolvido em Okinawa, possibilitando a muitas pessoas aprenderem os benefícios de um sistema tradicional de autodefesa (defesa pessoal). Eventualmente tornando-se conhecida com Goju Ryu (o Estilo Duro e Flexível), a Arte de combinar técnicas tradicionais de Okinawa com princípios chineses internos e externos. Os Estilos chineses flexíveis, internos se concentram em movimentos circulares e desenvolvimento de “KI” (energia vital), enquanto que os princípios Duros, externos, contam com a força física.

    A combinação destes princípios faz do Goju-Ryu um Sistema bem abrangente e completo , concentrando-se na eficácia dos movimentos, sendo que, fora da luta constitui uma fonte inesgotável de elementos para o desenvolvimento pessoal.

    O Mestre Chojun Miyagi, fundador do Okinawa Karate-Do Goju Ryu, via as Artes Marciais como sendo mais que métodos eficazes de Defesa Pessoal, e o sistema que ele desenvolveu, reflete esta sua crença.

    Através da influência do Mestre Miyagi, o Karate Goju Ryu se tornou matéria educativa, que poderia ser ensinada em Escolas, e a criação de novos KATAS (formas) , tornou a Arte mais compreensível ao público. Miyagi, portanto, se tornou um dos pioneiros que trouxeram o Karate de seu enclave exclusivamente Okinawense, onde havia relativamente poucos praticantes, para uma situação de aceitação universal.

    Relata-se que dedicando sua vida à promoção das Artes Marciais, Miyagi fez mais de dez viagens à China, mais de sete ao Japão (uma vez que residia em Okinawa) , e também visitou o Hawai e Korea. Consta que ele gastou milhões de dólares viajando para promover o Karate e ajudando amigos com dívidas.

    Considerando que Miyagi tinha tendência a enjoar em viagens marítimas, ele raramente viajava sozinho e freqüentemente não se recuperava totalmente de seu mal quando promovia demonstrações ou palestras.

    Muito agradável por natureza, Miyagi foi chamado de “Bushi Miyagusuku” (Cavaleiro Miyagi) em Okinawa. Possuidor de enorme força física, ele era largamente conhecido por sua extraordinária força nas mãos e performance de KATA, que demonstrava sua grande dedicação ao treinamento das Artes Marciais. Entretanto, sua maneira gentil era sua maior qualidade. Apesar de histórias , que devem conter mais fábulas do que fatos, Miyagi nunca lutou, mantendo a promessa a seu Professor de que nunca usaria as Artes Marciais para ferir outro ser humano.

    OS ANOS INICIAIS

    Seu nome original de nascimento era Matsu Miyagi, ocorrido em 25 de abril de 1888, na localidade de Higashi Machi, Hana. Era filho de Chosho Miyagi, vindo a herdar a fortuna de uma das mais ricas famílias de Okinawa (Miyagi é o derivativo Japonês do nome “Okinawense” Miyagusuku).

    Envolvida com a importação de produtos farmacêuticos, a família possuía dois navios comerciais, que eram usados para fornecimento de transporte a comerciantes do privados e também ao governo. Miyagi foi adotado com a idade de cinco anos por um tio, e após o falecimento do principal sucessor da família, seu nome inicial foi mudado para Chojun, por haver se tornado herdeiro da fortuna da família. O fato de ter nascido em grande riqueza permitiu Miyagi, anos mais tarde, a dedicar todo seu tempo ao estudo e a viagens para promover as Artes Marciais.

    Com 11 anos de idade, o forte jovem começou a treinar com o Mestre de Karate Aragaki Ryuko. Esta instrução inicial, consistia principalmente em exercícios criados para desenvolver o corpo, usando implementos Okinawenses com o ‘Chi-Shi” ( peso confeccionado com uma pedra e uma haste) , “Nigiri-game” ( jarras de argila de agarrar) e Makiwara (estaca de madeira para exercitar socos). À partir desta sólida fundação, Miyagi mais tarde levou os princípios de desenvolvimento de força para seus próprios ensinamentos, inclusive, ele sempre encorajava seus alunos a se engajarem em treinamentos de força suplementares.

    Como um entusiasta da Cultura do Físico, Miyagi desenvolveu métodos científicos de exercícios que refletiam no seu treinamento inicial, elementos que enfatizavam a importância de um corpo saudável, tornando-se com isso também um Fisiologista por excelência investigativa.

    Em 1901, Miyagi foi apresentado a Kanryo Higashionna (1853 - 1916), Mestre de Naha-Te , que havia estudado na China antes de retornar à Okinawa, onde tornou-se muito conhecido como professor de Artes Marciais. Miyagi estudou com Higashionna durante 15 anos, tornando-se seu sucessor na Arte do Naha-Te que eventualmente evoluiu, transformando-se em Karate Goju Ryu.

    Conta-se que o Mestre Higashionna interessou-se por Boxe Chinês enquanto trabalhava para uma Companhia de Importação e Exportação, trabalho que o permitiu ir e vir de Okinawa à China muitas vezes. A viagem de 1868 a Fushou na Província de Fujian no sul da China, possibilitou seu estudo com o Artista Marcial “Ryo Ryuku”, Mestre de Shaolin Kempo da Escola do Sul. Ao retornar à Okinawa, Higashionna estabeleceu um Estilo de Defesa Pessoal, conhecido como Naha-Te, combinação de Kempo Chinês e técnicas de Okinawa. Com sua casa em Hishi Machi sendo usada como Dojô, a fama de Higashionna como professor espalhou-se e ele tornou-se Instrutor de Artes Marciais da família real. Em 1905, Higashionna passa a ensinar os valores físicos e filosóficos de sua Arte em uma Escola Secundária Pública em Naha. Sendo um homem modesto e severo, o Mestre Higashionna tinha apenas 1 metro e 55 cm de altura, mas era possuidor de grande força física. Por isso era chamado de “Kensei” (Punhos Sagrados) em Okinawa e era também conhecido por seu rápido movimento de pés e técnicas de chutes baixos. Entretanto, Higashionna acreditava que a proposta integral das Artes Marciais era ajudar a sociedade, e não ferir pessoas. Esta Filosofia foi passada a seus alunos, especialmente a Miyagi, em quem a lição nunca foi perdida. Chojun Miyagi deixou o Ginásio Dai Ichi, na oitava série para estudar exclusivamente Naha Te tendo o privilégio de ser o único aluno de Higashionna a aprender todos os Katas do Sistema. Sob instrução de Higashionna, um aluno normalmente se concentrava em um único Katá durante anos e se tornaria altamente eficiente nestes movimentos em particular; entretanto Miyagi pode aprender todos os aspectos do Naha Te. O treinamento era extremamente rigoroso, fundamentando-se no Kata Sanchin (Três Batalhas) , que é uma forma de respiração que envolve tensão dinâmica. Miyagi foi um dos poucos que continuaram alunos de Higashionna, apesar dos rigores do exigente horário das aulas. Após se casar com idade de dezenove anos, Miyagi entrou para o Exército em 1908 e serviu na Quinta Divisão de Kumamoto por três anos. Em 1915, ele fez sua primeira viagem à China, indo a Fushou para estudar Chugoku Kempo, acompanhado por seu amigo Gokenki (1886 - 1940) , que adotou o nome japonês de Yoshikawa e ensinou uma forma de Shaolin do Sul (Garça Branca) em sua Loja de Chá em Naha. É possível que a influência de Gokenki no jovem Miyagi seja vista em katas que foram desenvolvidos para o Goju Ryu, uma vez que contêm movimentos similares aos do “Garça Branca”. Este sistema chinês é também conhecido como Pai - Hao-Quan, ou na tradução japonesa como Hakutsuruken e foi desenvolvido por Fang Chi Liang, mulher que viveu em Tan Yung Chun, na Província de Fujian. O relacionamento de Miyagi com seu professor era próximo, já que sua fortuna o permitia alojar Higashionna e pagar por sua instrução. Uma vez que permanecia em constante companhia de Higashionna, Miyagi pode aprender todos os Katas de Naha-Te sob minuciosa atenção do Mestre. Entristecido com a morte de Higashionna em outubro de 1916, Miyagi se encarregou das providências do funeral, e logo à seguir, voltou à China à procura do Dojô de Ryu Ryuko, mas não obteve sucesso. Quando Miyagi retornou a Okinawa, em 1917, tornou-se Instrutor no Centro de Treinamento da Polícia Okinawense, na Escola Comercial da cidade de Naha, na Escola Normal de Okinawa, e no Centro de Saúde da Prefeitura.

    O DESENVOLVIMENTO INICIAL DO GOJU RYU

    As influências de estilos chineses, combinados com princípios de Naha-te, mais tarde formaram o sistema Goju Ryu de Karatê. Tendo estudado os estilos Duros, externos, juntamente com os sistemas flexíveis, internos do Yi Quan, Pakua Chang, e Tayiquan, Chojun Miyagi usou seu extenso conhecimento das Artes Marciais para desenvolver o Goju Ryu.

    Acrescentando punhos fechados às formas Sanchin, Miyagi também criou o Kata Tenshô (girar os punhos) para enfatizar a leveza no movimento. Como seu professor Higashionna, Miyagi acreditava severamente nos benefícios do Katá Sanchin, mas incluiu as técnicas mais leves influenciadas pelo “Garça Branca” em sua instrução.

    Entretanto, Sanchin sempre foi o coração do Método de Miyagi, ou seja, a Forma fundamental do seu Estilo.. Projetada para treinar e construir o corpo através de técnicas de respiração, a força física desenvolvida através da prática do Sanchin permanece uma característica que distingue o OKINAWA GOJU RYU tradicional de outros estilos menos físicos.

    Para descrever seu Sistema, Miyagi comparava-o a um salgueiro colocado contra o vento, permanecendo estável por causa de suas fortes raízes, enquanto os galhos fluem flexíveis como a força. Os 12 Katás originalmente ensinados por Miyagi, que tem origens chinesas, ainda são a base do Goju Ryu hoje, apesar dos nomes variarem nas traduções do Chinês para o Japonês ou para o Inglês ou Português. Juntamente com os supracitados Sanchin e Tenshô, os outros Kata incluem : Guekki-Sai (Iti e Ni) que significa : Atacar e Destruir ou Ataque Demolidor 1 e 2 ; Saiffa = Desagarrar-se; Seenchin = Dominar espaços suavemente ; Sanseru = Trinta e seis mãos ; Seipai = Dezoito mãos; Shisochin = Batalha de quatro direções; Seisan = Treze mãos ; Kururunfa = Destruir com técnicas de matizes antigos; Suparimpei = Cento e oito mãos.

    Os movimentos contidos nos Kata Goju Ryu tem propósito de auto defesa e não esporte. Bloqueios curtos, circulares, fortes “Chaves e aprisionamentos”, eficientes manobras de socos, e técnicas de chutes para a baixa região do corpo, caracterizam a Arte que Miyagi tão cuidadosamente desenvolveu. Estas técnicas não são berrantes ou acrobáticas, o que faz do Goju Ryu um excelente e eficaz Método de autodefesa em uma situação de Rua.

    Como Professor, Miyagi era muito severo e dava enorme ênfase no básico. Seu Dojô era na verdade um pátio cercado por muro de pedras e iluminado por candeeiros a óleo, onde os Kata eram ensinados passo a passo e os alunos não passavam ao próximo movimento até aprenderem o anterior. Miyagi não aceitava pagamentos por sua instrução e não promovia seus alunos, uma vez que não havia, naquela época, sistema de Ordem de graduação.

    Entre os que estudaram com Miyagi e mais tarde continuaram seus ensinamentos originais estavam Seiko Higa, Meitoku Yagi, Seikichi Toguchi e Eiichi Miyazato. Outro aluno, Jirsei Yogi, foi professor de Gogen Yamaguchi, que se comportou de modo censurável ao buscar ganhar fama em seu próprio favor como desenvolvimento do Karatê Goju Ryu Japonês. Na ocasião, Yamaguchi também procurou conselho e instrução de treinamento de Meitoku Yagi, durante anos. Higa, que havia treinado com Higashionna desde os treze anos, ajudou Miyagi quando o último se tornou sucessor de sistema Naha-Te, e foi a única pessoa, algum dia, autorizada por Miyagi a ensinar o Karatê Goju Ryu. Como Higashionna, Miyagi acreditava no treinamento do Kata Sanchin por um extenso período de tempo, passando-se então a instrução do aluno de maneira diferenciada, de acordo com o desenvolvimento físico e técnico do aluno e de suas preferência pessoais. Por exemplo : Yagi aprendeu Suparimpei, a Toguchi foi ensinado Seipai, e Miyazato estudou Kururunfa como segundo Katá. Portanto todos aprenderam SANCHIN coletivamente , passando a aperfeiçoarem em um katá da sua tendência. Ao contrário do sistema atual do Goju Ryu, Miyagi escolhia o segundo Katá a ser ensinado ao aluno e não seguia nenhum regime pré-determinado,seguia simplesmente sua intuição que era muito apurada. O sistema organizacional de graduação da Arte de Miyagi foi desenvolvido após sua morte em 1953. Enquanto Miyagi era procurado para instrução por muitos alunos em potencial, não eram muitos que continuavam com ele, devido aos procedimentos extremamente exigentes que compunham o regime original de treinamento do Goju Ryu. Exigindo de seus alunos tanto quanto de si mesmo, Miyagi ensinava de uma maneira intensa, que contradizia sua natureza gentil. Existem inúmeras estórias com respeito à necessidade de se pendurar cordas sobre as instalações sanitárias, porque seus alunos ficavam tão cansados, devido ao pesado treinamento, que não conseguiam se levantar quando agachavam para fazer suas necessidades fisiológicas, a não ser que se segurassem em algo que os auxiliasse ficarem novamente de pé. Também é contado, que os alunos de Miyagi eram sempre reconhecíveis em casas de banho públicas, devido às marcas vermelhas deixadas como resultado de exame do Katá Sanchin.

    PROMOVENDO O KARATÊ E O DANDO NOME À ARTE

    Exemplificado por suas demonstrações e desempenhos públicos perante a realeza, parece que a principal meta de Miyagi era conscientizar as pessoas dos benefícios de se estudar uma Arte Marcial. Em 1921, Miyagi impressionou o Príncipe da Coroa “Hirohito” com uma demonstração de Naha-Te que fazia parte da cerimônia, marcando a passagem do príncipe na Baía Nakagusuku em Okinawa em seu “tour”. Quatro anos mais tarde , Miyagi foi igualmente impressionante em sua performance para o Príncipe Chichibu. À medida que se tornava mais famoso, Miyagi pode conhecer pessoas que poderiam ajudá-lo a realizar seu desejo de abrir as Artes Marciais de Okinawa ao público.

    Em 1922, o fundador do Judô “Jigoro Kano”, deu uma palestra em Okinawa que influenciou enormemente Miyagi. Muitos anos mais tarde, Kano retornou a maior ilha o arquipélago Ryu Kyu e viu Miyagi demonstrar suas habilidades únicas em nome das Artes Marciais de Okinawa. Esta apresentação se tornou lendária nos círculos das Artes Marciais de Okinawa. Dizem que Miyagi não se feriu enquanto era golpeado por um BÔ (longo bastão) e mostrava sua tremenda força de agarramento arrancando e rasgando a casca de uma árvore com seus dedos e rasgando grossas fatias de carne com suas mãos desprovidas de qualquer instrumento. A demonstração não foi esquecida por Kano, que usou sua influência para deixar Miyagi participar das exibições das Artes Marciais Japonesas.

    A primeira viagem de Miyagi ao Japão ocorreu em 1928, quando ele deu palestras e demonstrações nas Universidades de Kansai, Kyoto e Ritsumeikan. Retornando a Okinawa em 1929, tornou-se instrutor no Dojô da Polícia Municipal e mais tarde no Fórum de Naha, na Associação de Cultura Física da Prefeitura, e na Faculdade Municipal de Formação de Professores. Foi nesta época que se tornou necessário dar nome ao Sistema que crescia em popularidade em Okinawa e no Japão.

    Em relação ao nome do Sistema de Miyagi, é registrado que seu aluno mais antigo, Jinan Shinzato (1900-1945) , estava fazendo uma demonstração no Japão, quando foi perguntado sobre o nome do Estilo de sua Defesa Pessoal. Incapaz de responder precisamente, ele voltou a Okinawa e consultou Miyagi, que criou o título GOJU RYU, tirado dos versos de uma linha do Bubishi (chamado Wu Bei Zhi em Chinês), um registro dos oito preceitos do Kempô Chinês “Tudo neste mundo respira Dureza e Suavidade”. Desta forma, Miyagi foi o primeiro Mestre de Karatê em Okinawa a não dar nome ao sistema de acordo com o nome geográfico da área na qual era praticado (como Naha-Te , Shuri-Te e Tomari-Te).

    Miyagi se apresentou para a DAI NIPPON BUTOKUKAI (Associação Maior de Artes Marciais do Japão), (Corpo Regulamentador Oficial das Artes Marciais Japonesas), em 1930 , e no Templo Sainei Budo em 1932. Sua influência então levou ao reconhecimento oficial do Karatê como Arte Marcial do Japão com a criação do Dai Nippon Butokukai, filial de Okinawa, para a qual foi indicado dirigente representante. Miyagi recebeu elogios do Ministério da Educação do Japão por seus relevantes serviços de destaque na área de Cultura do físico em 1934, mesmo ano em que publicou um Artigo sobre Karatê e fez uma viagem ao Hawai para promover a Arte.

    Miyagi pregava a união das Artes Marciais e expressou sua opinião de disponibilizar a instrução do Karatê para o restante do mundo durante sua palestra no Hall Sakaisuji Meiji Syoten no Japão, em 1936.

    O fundador do Goju Ryu também expressou sua opinião de que o Karatê não poderia crescer unicamente com Katá clássicos e que novos Katá deveriam ser desenvolvidos para ajudar o público a aprender a Arte Marcial. Os Katà Guekki Sai Dai ichi e Guekki Sai Dai ni, foram criados com esta intenção por volta de 1940. Inicialmente, Miyagi planejava desenvolver uma série de formas Guekkisai, mas a 2ª Guerra Mundial interrompeu os treinamentos e aulas em Okinawa, e os outros Kata nunca foram apresentados ao público, pois ele os criava e desenvolvia, primeiramente em secreto, e só depois os apresentava.

    Miyagi recebeu uma medalha por excelência nas Artes Marciais do Ministério da Educação do Japão em 1936 e também se tornou o primeiro Mestre em Karatê a receber o Título de Kyoshi (Professor Perito) do Dai Nippon Butokukai.

    Em outubro do mesmo ano ele participou de uma Conferência que adotou “Karatê” como nome Oficial da Arte Marcial de Okinawa. Miyagi fez então uma viagem a Shangai, na China, para aprofundar seus estudos das Artes Chinesas e permaneceu lá por mais de 2 meses.

    Mais promoções do Karatê ocorreram em 1937, quando o Príncipe Moriwasa Nashimoto , comissário do Dai Nippon Butokukai, autorizou Miyagi e vários Mestres de Judô a criar o DAI NIPON BUTOKUKAI JUKKYOSHI (Associação Maior de Professores de Karatê e Artes Marciais do Japão). Esta Organização regulamentaria o Karatê no Japão. Na época, o Karatê caiu na mesma classificação do Judô; portanto, para obter independência, Miyagi e um grupo de Mestres de Okinawa Karatê, estabeleceram a Sociedade de Preservação do Okinawa KARATE-DÔ. Entre os que fundaram a Organização, estavam Choshin Chibana, Chomo Hanashiro, Choki Motobu, Simpan Shiroma e Kentsu Yabu.

    A GUERRA E SEUS EFEITOS POSTERIORES

    Mestre Miyagi ensinou no Japão pela última vez em 1943, quando proferiu uma Palestra em Kyoto, na Universidade Ritsumeikan. Pouco após, a instrução de Karatê foi interrompida pela guerra que estava furiosa no Pacífico. Jinam Shinzato, antigo aluno de Miyagi, foi morto durante o início da Batalha de Okinawa em 1945, e o terceiro filho de Miyagi, Jun, também morreu neste sangrento conflito.

    O Karatê se espalhou no Japão e Okinawa, no rastro de devastação criado pela 2ª Guerra Mundial, e Miyagi retomou as aulas em 1946, usando o quintal de sua casa em Tsuboya Cho como seu Dojô. Apesar de abatido por má saúde na forma de pressão sangüínea alta e problema de coração, Miyagi continuou a promover sua Arte e foi indicado a Oficial do Okinawa Minsei Taiiku Ken (Associação Atlética Democrática de Okinawa) e Diretor da Associação Civil de Educação Física de Okinawa. Na época, também lecionou na Academia de Polícia de Okinawa.

    De acordo com Seikichi Toguchi, que estudou com Miyagi e Seiko Higa, foi em 1952 ou 1953 que Miyagi se tornou Presidente o Goju Ryu Shinko Kai, uma Organização que foi criada com o propósito de promover a Arte. Nesta época alunos de Miyagi o abordaram e o perguntaram se ele concederia promoções, sentindo que o Karatê ficava para trás das Artes Marciais japonesas como Judô e Kendô por não possuir sistema formal de graduação. Entretanto, ainda assim Miyagi se recusou a dar promoções a qualquer de seus alunos. Como uma pessoa de enorme humildade, Miyagi considerava-se desmerecedor de conceder faixas pretas e que um verdadeiro título de Faixa Preta deveria ser concedido apenas por um membro da Família Imperial ou um Corpo de sanção como o Butokukai.

    Mestre Miyagi morreu de Ataque Cardíaco em 8 de outubro de 1953, com 65 anos de idade. Uma vez que sua morte foi tão repentina, não havia sucessor oficial do Goju Ryu nomeado. Seiko Higa, que sempre foi mais considerado como Assistente de Miyagi do que como aluno, foi aceito como sucessor do Mestre por todos os aluno antigos e continuou a ensinar o Goju Ryu até sua morte em 1966.

    CONTINUANDO A TRADIÇÃO

    Após a morte de Miyagi, seus alunos mais antigos formaram uma Associação conhecida como ALL OKINAWAN GOJU KAI, que era uma reorganização do Goju Ryu Shinko Kai e um sistema promocional de graduação para a Arte já estabelecida. Yagi, Toguchi e Miyazato adoraram a graduação de Faixa Preta HACHI Dan (oitavo grau) e várias escolas de Goju Ryu foram abertas, com Yagi ensinando na escola MEIBUKAN, Toguchi na SHOBUKAN e Miyazato na JUNDOKAN. Yagi, como segundo aluno mais antigo de Miyagi, após a morte de Jinan Shinzato, veio a herdar o Gi (uniforme) e a Faixa Preta do Mestre, recebendo-os da Família Miyagi em 1963. Mais tarde, todos os três antigos alunos de Miyagi, como líderes de suas respectivas organizações de Goju Ryu, foram elevados à graduação de Faixa Preta Décimo Dan.

    Como única pessoa autorizada por Miyagi a ensinar o Goju Ryu, Seiko Higa havia aberto um Dojô na Aldeia de Shioizumi em Naha, 1931 e mudou a Escola para a Aldeia de Matsushita, também em Naha, dois anos mais tarde. Higa recebeu o título de Renshi (Professor Autorizado) do Dai Nippon Budokai em seu retorno da ilha de Sipan no Pacífico Sul, onde deu aulas de Goju Ryu de 1937 a 1939. Em 1956, Higa se tornou o primeiro Vice-Presidente do All Okinawan Karate-Do Renmei, uma Organização que representava os principais Estilos do Karatê Okinawense. Choshin Chibana foi o fundador e presidente desse grupo, que foi renomeado para Federação All Okinawan Karate-Do em 1967 e permanece a maior organização de Karatê em Okinawa até hoje.

    Higa recebeu o título de Hanshi por mútuo consentimento de todos os membros do All Okinawan Karate-Do Renmei em 1958 e construiu o Dojô Shodokan. Outrora professor de ensino elementar, Higa estava servindo como policial na cidade de Ytoman quando formou a Federação Internacional de Karate e Kobudo, também em 1958. Esta Organização foi estabelecida com o propósito de estudar-se mais o Goju Ryu e unificar os Kata. Após a 2ª Guerra Mundial, Higa abriu um Dojô em Ytoman e lecionou na Escola Secundarista de Ytoman.

    Como um dos mais populares sistemas de Karatê hoje, o Goju Ryu agora é aceito em todo mundo. Mas com a popularidade aumentada vem o problema de autenticidade, uma vez que existem numerosas Organizações e pessoas, especialmente nos EUA, mas também na América do Sul, que operam com o nome de Goju Ryu, mas que na verdade tem pouca ou nenhuma ligação com a linhagem de Chojun Miyagi. Apesar de alegarem o contrário, estes sistemas ensinam de maneira muito distante da instrução original de Miyagi, sacrificando, através da falta do conhecimento tradicional, o básico e componentes integrais da Arte, que foram tão cuidadosamente desenvolvidos pelo fundador e seguidos por seus sucessores.

    É tarefa das Escolas Goju Ryu de hoje, manter os princípios estabelecidos pelos Mestres Higashionna e Miyagi à tantos anos atrás e por seus sucessores. A Arte que nasceu na Ilha de Okinawa agora se espalhou pelo mundo, aparentemente mantendo os desejos do fundador, que sempre acreditou que o Karate deveria ser disponibilizado ao público. Desta forma, o Goju Ryu é o primeiro e o mais importante meio de desenvolvimento pessoal que constrói a confiança para possibilitar uma pessoa se tornar um cidadão destacado. Desenvolvendo os conceitos do Goju Ryu em alto grau, Mestre Miyagi serviu a sociedade tornando a vida melhor para aqueles que tem a oportunidade de treinar em seu sistema, o OKINAWA GOJU RYU.

    Significado dos Kata

    Gekki Sai = Significa “Ataque Demolidor” ou “Destruidor”, o que faz referência às técnicas de ataque

    usadas, nas seqüências “defesa-contrataques” desses Katas. Trata-se sempre de ataques diretos

    de punho, cotovelo e perna, de grande potência.

    Sanchin = Três Batalhas / Guerras / Conflitos . É um dos Katás trazidos da China pelo Mestre Kanryo

    Higashionna. O nome do Katá é entendido quando se observa que ele se refere ao CORPO, á

    MENTE e ao ESPÍRITO. Trata-se do Katá fundamental do Karatê Goju Ryu.

    Tensho = Girar os Punhos . Trata-se de uma combinação de tensão dinâmica, respiração profunda , e suaves

    movimentos das mãos. O resultado é a concentração da força no TANDEN. Todo ele muito

    característico do Estilo Goju Ryu.

    Saiffa = “Desgarrando” . É um Katá de origem Chinesa, levado para Okinawa por Kanryo Higashionna.

    Seenchin = “Dominar espaços suavemente” . É um Katá chinês muito antigo e suas origens se encontram

    provavelmente no sistema interno de I-Ching. Todos seus movimentos são técnicas de mão, sem

    absolutamente nenhum chute, o que é bastante pouco usual. Pertence a série de Katás do Tigre.

    Shisochin = Quatro Enfrentamentos ou Quatro Lados. Concentra-se na luta em quatro direções. É de origem

    chinesa, aprendido pelo Mestre Higashionna com o Mestre Ryuko Ryu.

    Sanseru = Sanseru na língua Chinesa é o número 36. Este katá também é chamado o Katá do Dragão.

    Igualmente ao Shisochin concentra-se na luta pelas quatro direções.

    Seisan = Tradicionalmente o Goju Ryu desenvolve técnicas que implicam sujeitar e controlar ao atacante, ao

    mesmo tempo se golpeia numa parte vulnerável do corpo. O Katá Seisan é um bom exemplo desse

    princípio. Significa literalmente “Treze Mãos”. Contém oito técnicas defensivas e cinco ofensivas,

    todas as quais levam junto uma troca de direção. Desenvolve formas de luta a muito curta distância,

    mediante socos curtos e chutes baixos para atravessar as defesas do oponente.

    Seipai = Seipai é o número 18 em língua Chinesa. Contém muitas técnicas “ocultas”, desenhadas para

    confundir ao adversário no combate. Resulta praticamente impossível compreender o autêntico

    sentido de algumas das técnicas realizadas, como tão só observar a alguém executando o Katá.

    Pertence também à série de Katas do Tigre, e é uma continuação do Katá Seisan.

    Kururunfa = É outro Katá de origem chinesa com técnicas muito avançadas. Destacam-se principalmente a

    realização de “Tai Sabaki” (deslizamentos circulares evasivos) e movimentos muito rápidos.

    Suparimpei = Suparimpei é o número 108 na língua chinesa. O número 108 é um número importante no

    Budismo ( as 108 paixões negativas que tem o homem). Porém, porque um Katá se chama

    assim ? Existe uma explicação lendária :

    Por volta de 1600 existia na china um grupo de guerreiros que viajavam pelo país, percorrendo

    estradas e roubando aos ricos para dar ao pobres ( sim, já sei, parece Robin Hood, porém ....

    por que não haveria de existir uma versão chinesa ?). O grupo era formada de 108 homens e se

    denominavam “as 108 mãos”.

    Ao final, foram derrotados e dispersados, e um dos homens chegou à Escola Ryuko ( onde ,

    precisamente, Higaonna Sensei aprendeu alguns katás séculos depois), e ensinou suas técnicas.

    O katá desenvolvido a partir destas técnicas, recebeu seu nome em honra aos “108”. Esta

    explicação lendária não diminui a importância do número 108. Mas bem é pela importância

    deste número pelo que provavelmente se pensava que eram exatamente 108 homens, lutando

    contra as injustiças e buscando a iluminação e escapar das 108 paixões mortais através da

    prática das Artes Marciais e tendo como peça central um katá de 108 movimentos, o

    Suparimpei.

    A PARÁBOLA DA FAIXA PRETA

                                            (Autor desconhecido)

        Imagine um lutador de artes marciais, ajoelhado na frente do Mestre, numa cerimônia para receber a faixa preta obtida com muito suor.

        Depois de anos de treinamento incansável, o aluno finalmente chegou ao auge no êxito da disciplina.

        "Antes que eu lhe dê a faixa você tem que passar por outro teste", diz o sensei.

        "Eu estou pronto", responde o aluno, talvez esperando pelo último assalto da luta. "Você tem que responder à pergunta essencial: qual é o verdadeiro significado da faixa preta?"

        "O fim da minha jornada", responde o aluno, "uma recompensa merecida pelo meu bom trabalho".

        O sensei espera mais. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim, o sensei fala: "Você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano."

        Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei.

        "Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?", pergunta o sensei.

        "Ela significa a excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte." responde o aluno.

        O sensei não diz nada durante vários minutos, esperando. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim ele fala: " você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano."

        Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei e mais uma vez o sensei pergunta: "qual é o verdadeiro significado da faixa preta?"

        "A faixa preta representa o começo - o início da jornada sem fim de disciplina, trabalho e a busca por um padrão cada vez mais alto." , responde o aluno.

        "Sim. Agora você está pronto para receber a faixa preta e iniciar o seu trabalho!"