
Mestre Mauricio Robbe, Faixa Preta e Vermelha 7° Grau que conquistou, nos últimos anos, dois títulos inéditos, o de Tetra Campeão do Internacional Máster e Sênior e o de Tetra Campeão Brasileiro, na categoria Sênior 5, Pesadíssimo e Absoluto.
É responsável pela Equipe Gracie Barra Bahia e Presidente da Federação de Jiu-Jitsu do Estado da Bahia.
Profissão: Administrador/Especialização Design
Estado civil: Casado
Aniversário: 09/09
Filhos: 4
Fuma: não
Bebe: não
Paixão:Minha mulher, meus filhos e netos
Esporte: Jiu-Jitsu
Hobbie: Jiu-Jitsu
Livro: Esotéricos, de administração e de design
Música: MPB de qualidade
Programas de tv: Inovações tecnológicas e história da humanidade
Filme: Ação e romance
Comida: Frutas e frutos do mar
Cidade natal: Rio de Janeiro
Contato: mrobbe@terra.com.br
Maurício, como foi o seu primeiro contato com o jiu-jitsu?
Aos 14 anos, eu morava em São Paulo, Capital, e resolvi aprender Jiu-Jitsu. Fui, com o meu irmão Custodio, à Academia do Pedro Hemetério, na Rua Sete de Abril, no Centro. Ele tinha sido um dos melhores alunos de Helio Gracie no Rio e foi morar em São Paulo. Ele era representante dos Gracie em São Paulo.
Foi com ele que aprendi os primeiros movimentos de defesa pessoal e luta. Passei anos na sua Academia até ele me graduar Faixa Azul. Nessa época era a mais alta graduação, equivalendo, hoje, à Faixa Preta.
Ele é um Professor extraordinário pela seu conhecimento técnico, dedicação e amizade. Até hoje uso movimentos e golpes ensinados por ele, pela sua eficiência no decorrer de qualquer luta.
O primeiro Torneio Oficial de Jiu-Jitsu ocorreu em 1973, no Rio. Representando a Academia do Pedro Hemetério, eu fiz a final do absoluto faixa preta com, o Campeão Absoluto na época, Rolls Gracie.
A partir daí, resolvi me transferir de São Paulo para o Rio, pois, como todos sabem, o Rio é a capital mundial do Jiu-Jitsu e eu passaria a completar a minha formação e treinar duro com Rolls e toda a sua Equipe.
Quem são os seus mestres e qual o papel que cada um desempenhou em sua formação no jiu-jitsu?
Meu primeiro Mestre foi Pedro Hemetério, Grão Mestre Faixa Vermelha 9° Grau. Com ele aprendi a filosofia e as técnicas de luta e desenvolvi a persistência, a humildade e a raça, qualidades indispensáveis a um lutador.
Em seguida foi Rolls Gracie com quem convivi muitos anos, também. Aprendi com ele que não bastava ter conhecimento técnico, era necessário ir além, isto é ter velocidade e sensibilidade para lutar, principalmente, depois da criação das regras do Jiu-Jitsu desportivo, que fixou um tempo determinado, para cada faixa e categoria.
Com a sua morte em vôo de asa delta, em Visconde de Mauá, RJ, quem assumiu o seu lugar foi Carlos Gracie Jr. e passei a ser aluno dele, ainda na Figueiredo Magalhães. Mais tarde, vendo a Cidade crescer em direção à Barra da Tijuca, o Carlinhos abriu um espaço lá.
Meu Professor passou a ser Carlos "Soneca" Machado, que tem uma técnica apurada, e a cada novo professor, eu ia melhorando e adquirindo mais e mais conhecimento e assimilando novos estilos e estratégias de luta.
Foi nessa ocasião que tive a oportunidade de treinar com Regan, Jean Jacques e Roger Machado, além de Rillion, Rocian e Renzo Gracie e demais alunos da Equipe.
Como foram suas primeiras experiências em competições e como elas são hoje?
Em 1973 ocorreu, no Brasil, o 1° Torneio Oficial de Jiu-Jitsu, organizado pela Federação de Jiu-Jitsu da Guanabara, presidida pelo Grão Mestre Faixa Vermelha 10° Grau, Helio Gracie. Eu tive dois adversários no peso absoluto. O primeiro ganhei por pontos e o segundo foi Rolls Gracie. Eu fiz a final com ele e, na época o seu Pai o Grão Mestre Carlos Gracie, dizia que ninguém conseguiria resistir mais de 3 minutos, sem ser finalizado por Rolls. A luta foi se desenrolando e já passava dos 3 minutos e ele não conseguia me finalizar. Após 8 minutos de luta e eu com o dedo mínimo quebrado, Rolls usou uma estratégia muito eficaz e me finalizou com um estrangulamento lateral. Essa luta levantou a plateia e, mesmo sendo derrotado, teve para mim um sabor de vitória. Guardo essa medalha de prata como um dos maiores trofeus que conquistei.
Participei em seguida do 2° e do 3° Torneio Oficial, ficando em 2° lugar em cada um deles.
Fui Campeão do Torneio da Fusão, quando a Cidade do Rio de Janeiro e o Estado do Rio de Janeiro se fundiram.
Desde o ano de 2002, passei a competir novamente e os resultados têm sido bons. Conquistei no ano passado o Tetra Campeonato do Internacional Máster e Sênior, na Faixa Preta categoria Sênior 5, pesadíssimo e absoluto. E a partir de 2003 venho participando do Campeonato Brasileiro e, neste ano de 2006, conquistei, também, o Tetra Campeonato na mesma categoria, faixa e pesos. Esses títulos são inéditos na história desses campeonatos, promovidos pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu e pela International Brazilian Jiu-Jitsu Federation.
Você já praticou outras artes marciais e qual sua opinião sobre a afirmativa que o judô e o jiu-jitsu se completam?
A única Arte Marcial que eu pratiquei na minha vida foi o Jiu-Jitsu.
O Jiu-Jitsu é o pai de todas as Artes Marciais Orientais, tendo sido criado na Índia, há mais de 2.000 anos. As técnicas do Judô foram extraídas do Jiu-Jitsu e, através de Jigoro Kano, transformaram-se num esporte difundido em todos os continentes. Portanto, o Judô não é uma Arte Marcial e sim um esporte, sendo uma parte do Jiu-Jitsu.
Nas regras do Jiu-Jitsu desportivo, as lutas começam em pé e a queda é premiada com 2 pontos. Ocorre que o desenvolvimento da luta de Jiu-Jitsu se dá no chão e a queda é usada para derrubar o adversário. Em pé os dois lutadores estão em condições de igualdade.Na luta de Jiu-Jitsu, devemos buscar posições estratégicas de luta, onde se tenha maiores chances de dominar e de finalizar o adversário.
No Judô, dependendo da queda aplicada, a luta pode ser finalizada ou vão sendo marcados os pontos. Quando o lutador aplica um ipon, a luta acaba.
É claro que um lutador que saiba derrubar com maestria, leva uma vantagem inicial. No entanto, no chão deverá contar com todo o seu conhecimento estratégico, técnico, de condicionamento físico, de velocidade, de sensibilidade, para encaminhar, da melhor forma possível, a luta, com vistas à vitória por pontos ou por finalização.
Maurício, muito obrigado pela entrevista e qual seu conselho aos iniciantes e praticantes de jiu-jitsu?
Inicialmente, os iniciantes devem saber que o caminho é longo. Além disso, devem procurar beber água na fonte, isto é, devem aprender Jiu-Jitsu com Mestres e Professores diplomados pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu e que tiveram boa orientação e reunem uma base sólida de conhecimento. Eles devem evitar aprender com curiosos e iniciantes. Além disso, devem manter sempre a humildade e o equilíbrio emocional, para estarem sempre abertos para aprender cada dia mais.
Quero agradecer a oportunidade oferecida pelo Webmaster Renato José de realizar essa entrevista que será divulgada através desse importante veículo de comunicação, para as academias de todo o Brasil, dos amantes da boa forma e das Artes Marciais.